Migração para desktop corporativo Linux: compartilhando experiências - Parte 2: Tomada de decisão e análise de riscos

Segunda parte da série de artigos sobre migração corporativa de sistemas operacionais WIndows para Linux

Migração para desktop corporativo Linux: compartilhando experiências - Parte 2: Tomada de decisão e análise de riscos

Se no primeiro artigo, demos uma visão geral sobre o processo de migração de WIndows para Linux em ambiente corporativo, e elencamos as etapas que entendemos fundamentais para um bom processo de migração, sem traumas e compartilhamos algumas experiências, neste, seguiremos, aprofundando as etapas, detalhando, a medida do possível, tecnicamente e comparando com experiências já realizadas.

Seguindo o roteiro (etapas elencadas no artigo anterior) falaremos sobre a primeira: tomada de decisão e análise de riscos.

A decisão de mudar seus sistemas operacionais de desktops e notebooks corporativos é extremamente arrojada, uma vez que muda toda a cultura de uma empresa  no que diz respeito a gestão, gastos financeiros e suporte, e principalmente no dia-a-dia dos usuários, e neste ponto é onde, normalmente acontece o entrave a esta mudança. Os usuários são os primeiros a reclamar porque já estão acostumados a trabalhar por anos em determinadas plataformas e terão de aprender uma nova, sair da zona de conforto, aprender algo desconhecido. 

Mesmo que uma decisão de migrar venha  top-down, usuários tem "o poder" de criar entraves ao processo. Principalmente usuários pertencentes a setores estratégicos da empresa (corpo gerencial, bons vendedores, ou de destaque no que fazem). Importante tê-los como aliados. Sim, este processo é um processo politico.

Uma boa estratégia é elencar os influenciadores na empresa, os que realmente participam das decisões, escutá-los e também defender a migração, mostrando sempre os benefícios que ela trará, sem esconder que o processo não é simples, que é desafiador e que no começo exigirá comprometimento de todos.

Transparência é fundamental!

Não criar altas expectativas de que o processo será uma maravilha, sem erros, tranquilo. Pois, normalmente não o é, e embora hoje o Linux esteja totalmente maduro para uso em desktops corporativos, sempre terá alguma coisa que irá exigir um estudo, correção por parte do corpo técnico e paciência do usuário.

Seja transparente!

Torne isso um mantra, pois minimizará os detratores.

Lembre-se: Linux e software livre presssupõem um ambiente colaborativo. Portanto, envolver todos nesse processo, não só o corpo técnico. é uma boa medida.

Importante, também,  que o diretor ou gerente de TI - que será responsável pela decisão inicial por migrar e convencer a diretoria a bater o martelo - esteja totalmente seguro da decisão e esteja capacitado tecnicamente e em gestão para liderar o processo. Se não está convencido de que a migração é a melhor decisão, é melhor não seguir adiante. Como irá convencer alguém se você mesmo não está convencido? Como irá liderar um processo com segurança se não tem segurança no que está fazendo. Pensar bem, estudar, planejar, analisar os prós e contras, e depois. então, seguir em frente.

A migração do seu ambiente de desktops para Linux é uma estratégia empresarial e estas normalmente se realizam em forma de projetos que por sua vez pressupõem organizaçao, planejamento, controle, prazos e etc. E como todo projeto, deve-se avaliar os riscos, e controlá-los, interrompê-los sempre que não for possível antecipar-se a sua ocorrência.

Risco de um projeto é um evento incerto que, se ocorrer, terá um efeito negativo (embora possa ter efeito positivo também) sobre pelo menos um  dos objetivos do projeto, tais como tempo, custo, ou qualidade.

No caso específico abordado em nossa série de artigos, o grande risco é o chamado risco operacional que geralmente envolve atrasos nos prazos, dificuldades na operacionalização em si, e principalmente entrega com perda de qualidade.

Atrasos nos prazos quando se fala em migração, normalmente ocorrem. Em duas das três que participei, atrasaram, além do previsto, para a entrega final. E até estabilizar todo o ambiente ainda demorou mais um tempo em uma delas. Mas, o ideal é que estes não ocorram e que se acontecerem, que sejam ḿinimos.

Em relação a dificuldades da operacionalização em si, a tendência é que não ocorra se tiver sido feito um bom planejamento, se o corpo técnico for bem  preparado e qualificado e se houve um convencimento prévio com muita transparência de todos que usarão no dia a dia os novos desktops Linux.

O que de fato não pode acontecer é entrega com pouca de qualidade.. Não é possível entregar o novo ambiente aos usuários sem que este tenha sido amplamente testado, esteja funcionando muito bem ou no mínimo mantenha-o funcional como era o ambiente anterior. Não dá para seguir adiante se não tiver certeza que irá entregar o novo ambiente com qualidade.

E lembre-se: nesse processo de migração, os usuários são os clientes. No mercado, diz-se que clientes insatisfeitos não voltam. Em nosso caso particular, clientes insatisfeitos (os usuários) viram detratores e podem destruir e até mesmo sabotar todo o trabalho, ocasionando em alguns casos, a suspensão do projeto.

Gestão de riscos está padronizado pela ISO 31000:2009 e quem quiser se aprofundar vale à pena uma olhada lá.

Para gerenciamento de projetos e que também aborda o gerenciamento de riscos,  há uma metodologia bem aceita pelo mercado: PMBOK (Project Management Body of Knowledge ou Guia do Conjunto de Conhecimentos em Gerenciamento de Projetos).

Vale à pena dar uma conferida em ambas as ferramentas.

Vamos migrar?

https://www.conexaoti.com.br/migracao-para-desktops-corporativos-linux-compartilhando-experiencias-parte-1