Mozilla entra oficialmente na campanha contra o Facebook

#StopHateForProfit

Mozilla entra oficialmente na campanha contra o Facebook

A Fundação Mozilla entrou oficialmente na campanha contra o Facebook sobre grupos e posts de ódio na Internet.

A campanha #StopHateForProfit (parem de dar lucro ao ódio) ganhou velocidade depois que grandes empresas aderiram.  Trata-se de uma iniciativa criada por organizações do movimento negro e anti-racismo nos Estados Unidos, como Color of Change, ADL e NAACP, que denunciam o Facebook há anos por não conseguir e não ter iniciativas valorosas para impedir a proliferação de grupos e ações racistas, de ódio e de "poder branco" mas redes sociais.

Mais como uma forma de fazer o correto em seu marketing, este boicote das grandes empresas já rendeu alguns bilhões a menos de receita na rede social, e parece não ter chegado ao fim ainda, pois a cada dia, mais empresas estão aderindo ao boicote.

O Facebook tem hoje mais de 70 bilhões de dólares de receita de anúncios, o que torna esta campanha uma bomba-relógio com o tic-tac curto para explodir o faturamento e o valor de mercado do Facebook em ações.  Nos últimos dias a perda em ações foi de USD 60 bilhões.

O recado do Mozilla é claro, e não podia ser mais objetivo:

"Estamos pedindo aos parceiros da Mozilla – empresas de tecnologia e empresas que dependem fortemente da internet na sua atividade principal – que estão entre os principais anunciantes do Facebook que removam seus anúncios do Facebook e #StopHateForProfit (parem de dar lucro ao ódio). "

A verdade é que Mozilla e Firefox já não realizam mais anúncios desde 2018, quando veio à tona o escândalo de venda de dados para a Cambridge Analytics.

Assim, a campanha avança e ganha novos patamares, em meio à luta contra o racismo que, mais uma vez, explode na Améria do Norte.

O Facebook, que é, inocentemente encarado pelas pessoas como uma simples "rede social", na verdade é uma aplicação gigantesca de big data, com a capacidade de coletar todo o tipo de informação e ações dos usuários, direcionando-as para onde for mais vantajoso financeiramente, como a venda de anúncios às pessoas certas e a venda dos próprios dados, como ficou evidenciado no passado.

A questão é que tudo isso está preso em uma enorme enrascada.  Se, por um lado, as campanhas contra o ódio cortam fundos, por outro, cortar e excluir grupos supremacistas significa abrir outra frente de pesados bombardeios, que inclui o direito de se expressar, onde nos Estados Unidos é realmente visto como um princípio constitucional.  E estes grupos se baseiam neste direito para proliferarem ódio e racismo no Facebook e em outras redes sociais.

É uma faca de dois gumes para o Facebook.

Resta agora saber o que Zuckerberg vai fazer de concreto para freiar estes grupos e voltar a ganhar o seu dinheirinho.