Sleeping Giants chega ao Brasil e expõe feridas

Site denuncia propaganda de empresas em sites de ódio e fake news

Sleeping Giants chega ao Brasil e expõe feridas

Sleeping Giants (na tradução ao pé da letra, Gigantes Adormecidos), é um grupo fundado com o objetivo de persuadir as empresas a remover anúncios de determinados meios de comunicação que possuem um perfil de extrema-direita, alarmistas e que promovam fakes ou ódio em seus noticiários.

A campanha começou em novembro de 2016 nos Estados Unidos, e ganhou outros grupos em outros países.

Estreou há alguns dias no Brasil, e já conta com mais de 200 mil seguidores no Twitter (https://twitter.com/slpng_giants_pt).

Sleeping Giants Brasil já achou anúncios da Rede Globo, iFood, Claro, Insper, Tim, Impacta, FGV e várias outras em sites com conteúdo nefasto.

É assustador o descontrole que as empresas tem em aonde vão parar os seus anúncios.

Na verdade, tudo é apenas uma caça aos cliques, seja de onde vierem.  Mas ocorre que após uma denúncia, estas propagandas tornam-se um fardo na boa imagem que as empresas desejam ter diante da opinião pública.

Na grande maioria das vezes, na verdade, a empresa anunciante não sabe aonde vai o seu anúncio, pois eles acabam sendo controlados por aplicações, plataformas ou agências.

Ocorre que os sites de notícias falsas e ódio acabam recebendo muita publicidade, porque tendem a ser mais acessados.  Infelizmente a fofoca e as aberrações são mais lidas que as verdadeiras notícias e sites de informação e cultura em geral.

Por isso a idéia é "secar" estes sites bizarros de anúncios patrocinados.

Em quase sua totalidade, as empresas sempre respondem prontamente positivamente às solicitações de remoção de propaganda, justificando desconhecer e se solidarizando com o movimento.

Não foi o caso recente do Banco do Brasil.

Nesta semana, o grupo ativista identificou anúncios do Banco do Brasil no site de notícias Jornal da Cidade Online, categorizado pelo grupo como dentro de seus objetivos.  Mas além disso, descobriu-se também que o banco era um dos maiores "acionistas" do jornal, sendo um de seus maiores anunciantes!

A Justiça do Rio de Janeiro já condenou os donos do jornal a indenizarem o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, por danos morais. Na decisão, a juíza Sylvia Therezinha Hausen de Area Leão afirmou sobre as publicações, que "algumas delas possuem caráter indubitavelmente ofensivo e injurioso, principalmente as que afirmam que o autor é de baixíssimo nível, que sua administração causou a falência da OAB e que o autor é um escroque".

Após a denúncia feita por Sleeping Giants Brasil, o Banco do Brasil prontamente se comprometeu a remover os anúncios, respondendo no Twitter do grupo:

"Agradecemos o envio da informação, comunicamos que os anúncios de comunicação automática foram retirados e o referido site bloqueado.
Repudiamos qualquer disseminação de FakeNews."

Só que não...

Foi o bastante para setores do governo saírem em defesa do malfalado jornal.

O Filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) saiu em defesa do Jornal da Cidade Online, afirmando que o Banco do Brasil "pisoteia em mídia alternativa que traz verdades omitidas".

O ministro da Comunicação Social do governo foi atrás logo em seguida:

"Estamos cientes da importância do jornalismo independente. Nem toda a comunicação do que é público depende de nós, mas já estamos contornando a situação. Agradecemos pelo retorno e pode contar com o governo na defesa da liberdade de expressão."

O resultado da pressão política que transformou o Banco do Brasil em mais um chaveirinho governamental foi o recuo do Banco e a decisão de manter os anúncios.

Não apenas recuo, mas também a troca de sua Diretoria de marketing e Comunicação.

O grupo ativista logo se manifestou:

"Não vamos desistir do nosso Banco, ele não é de nenhum partido, ele é nosso, de todos os cidadãos brasileiros!".

De nossa parte, apoiamos todas estas ações que visam tornar a Internet mais livre e com menos influência de pessoas e grupos que sõ estão na rede para lucrar a qualquer preço.

Que o Sleeping Giants Brasil venha para ficar e que as mídias de ódio, fake e outras coisas mais bizarras  não sejam mais financiadas pelas empresas.


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