Trump e Google contra Huawei

O governo americano avança na guerra contra o 5G da Huawei

Trump e Google contra Huawei

A briga comercial entre Estados Unidos e China pelo 5G é a verdadeira face das restrições impostas por Trump e Google à Huawei.  A Huawei é, nada mais, nada menos que a principal fornecedora de telecomunicações do mundo e a segunda maior fabricante de smartphones. 

Uma guerra antiga...

Desde 2012 o Governo e Congresso americanos vem fazento tentativas de impedir a entrada da empresa nos Estados Unidos.  Naquele ano proibiram empresas americanas de usar equipamento de rede da Huawei.  A alegação era que os equipamentos da Huawei poderiam estar espionando as telecomunicações americanas.

No final de 2018, uma executiva da empresa, Meng Wanzhou, diretora financeira, foi presa no Canadá e forçada a ser extraditada para os Estados Unidos, para responder pelas acusações contra a Huawei.  A Suprema Corte da província da Colúmbia Britânica, no Canadá, concedeu liberdade por meio de pagamento de fiança.

No final de janeiro de 2019, o Departamento de Justiça dos EUA fez contraa empresa chinesa 23 acusações de roubo de propriedade intelectual, obstrução de justiça e fraude relacionadas à suposta evasão de sanções dos EUA. contra o Irã.  Isto tudo devido a Huawei comercializar com o Irã em meio às sansões impostas pelo governo americano ao país, em contrapartida a seu programa nuclear.

Trump decide impor restrições.

Agora, Trump decidiu elevar a briga, fabricando um decreto e inserindo restrições a serviços de comunicação e internet para dentro dos Estados Unidos.  A empresa foi acrescentada à Lista de Segurança de Entidades e Indústria do Departamento de Comércio dos EUA em 15 de maio, seguindo uma ordem executiva do presidente Donald Trump banindo efetivamente a Huawei dos EUA e suas redes de comunicação.

Pelas novas restrições, agora impostas à China, o Google também foi obrigado a restringir o fornecimento de serviços à empresas chinesas, e como pricipal protagonista, a Huawei.  Dentre os serviços temos o fornecimento do Chrome e o sistema operacional Android, através da exportação de licencas de tecnologia.

Google, e o Open Source que você usa?

Entretanto, apesar das notícias escandalosas, lembremos que tanto um quanto outro possuem, dentro de seus códigos, grande conjunto de aplicações e kernel derivados do Open Source, dentre eles o Linux e Mozilla.

Juridicamente temos um imbróglio criado dentro do próprio Estados Unidos.  Pode o Google restringir ou bloquear o acesso de aplicações com código-fonte aberto e adaptado em seus aplicativos, a determinada empresa ou país?  Eticamente seria um caso desastroso.  É como impedir que outro amiguinho pegue na bola que não é sua, é emprestada... 

A outra questão é o que fazer com as licenças de dispositivos Huawei já vendidos dentro dos Estados Unidos e no mundo?  Tais dispositivos, com as suas licenças tecnológicas, foram vendidos baseados em um contrato comercial já existente.  Poderia o Google bater na porta de seu aparelho e arrancar tais licenças?  Com certeza, não.

Fato é que, horas depois de anunciado o decreto, o próprio Google já anunciava que serviços como o Google Play e as atualizações iriam continuar a funcionar.

"Garantimos que, enquanto cumprimos os requisitos do governo dos Estados Unidos, serviços como o Google Play e a segurança do Google Play Protect continuarão funcionando no seu dispositivo Huawei já existente".

Definir que tipo de serviços serão afetados é uma tarefa grande.  Significa definir o que já está contratualmente vendido e o que contratualmente comprado não pode ser proibido de vender.

A avaliação geral é que apenas serviços proprietários e criados pelo Google podem ter restrição.  Mas ainda assim, que tipo de restrição será difícil definir, também baseado nos critérios acima.

Contra-ataque?

A Huawei já afirmou que tem um plano B, que seria a criação ou continuidade de um sistema operacional próprio, provavelmente baseado em linux também.  Boatos já confirmam a contratação de desenvolvedores da Nokia e a divulgação de imagens de telas do novo sistema.  E isso é bom para a Internet e o mercado.

Entretanto, por trás de todo esse debate sobre celulares, esconde-se a verdadeira briga comercial, que tem a ver com o domínio da tecnologia 5G no mundo, da qual Huawei é líder incontestável no fornecimento de aparelhos e equipamentos 5G.

O governo americano, não é de agora, vê isso com preocupação econômica e geopolítica.  Não agrada aos produtores de tecnologia americanos ver uma empresa chinesa líder mundial da nova tecnologia de comunicação wireless vendendo para todo o planeta e para dentro dos Estados Unidos feito água.

Empresas como CISCO e outras, sabem que isso é uma concorrência muito dura, além de perderem a corrida tecnológica nestes dispositivos.

O sistema de produção chinês, em larga escala, com salários baixíssimos e jornadas assustadoras, torna o valor destas mercadorias muito mais baratas que similares produzidas nos Estados Unidos ou Europa.  É arrasador para o mercado tecnológico americano.

Certo é que algo já estava em mente ser feito, e o bode espiatório acabou sendo o Google.  Para o Google, é um tiro no pé, pois cria um problema para seu marketshare e diminui suas vendas, em uma briga que não é sua.

Nos próximos capítulos desta briga, com certeza a nuvem vai se abrir e veremos mais decisões econômicas com o claro objetivo que é a briga pela tecnologia e mercados 5G.

Vamos aguardar...