Um escândalo! Bilhões de dados de rastreio

New York Times tem acesso a base de dados de milhões de indivíduos rastreados

Um escândalo! Bilhões de dados de rastreio

"A cada minuto do dia, em todo o mundo, dezenas de empresas - em grande parte desreguladas, pouco examinadas - registram os movimentos de dezenas de milhões de pessoas com telefones celulares e armazenam as informações em gigantescos arquivos de dados."

Assim começa o artigo do Jornal New York Times, de 19 de dezembro, com o título "Uma nação, rastreada".

O jornal obteve um desses arquivos, de longe o maior e mais sensível já visto pelos jornalistas, com mais de 50 bilhões de pings de localização dos telefones de mais de 12 milhões de americanos, enquanto se deslocavam por várias cidades importantes, incluindo Washington, Nova York, San Francisco e Los Angeles.

Cada informação deste arquivo representa a localização precisa de um único smartphone durante um período de vários meses, anos. Os dados foram fornecidos por fontes que pediram para permanecer anônimas, porque não estavam autorizadas a compartilhá-las.

Os dados são assustadores.  Eles podem ver os lugares por onde você vai a qualquer momento do dia, com quem você encontra ou passa a noite, onde ora, quer visite uma clínica de metadona, um consultório psiquiátrico ou um salão de massagens.

São padrões profundos e revelam de forma assustadora o que é possível coletar de dados de usuários.

Apenas como exemplo, o mapa de atividades mostrou um "oficial sênior do Departamento de Defesa e sua esposa" enquanto eles participavam da Marcha das Mulheres em 2017.

Em outro exemplo, os pesquisadores puderam escolher um smartphone aleatório localizado no Central Park e acompanhar todo o histórico de movimentos do proprietário em Nova York por um período de até dois anos.

Oficiais de defesa, policiais, advogados. Sem problemas. Eles até rastrearam pings de smartphones de trabalhadores dentro do Pentágono.

Uma pesquisa revelou mais de uma dúzia de pessoas visitando a Mansão Playboy, algumas da noite para o dia. Sem muito esforço, viram visitantes das propriedades de Johnny Depp, Tiger Woods e Arnold Schwarzenegger, conectando os proprietários dos dispositivos às residências por tempo indeterminado.

Centenas de milhões de pessoas, incluindo muitas crianças, se veem carregando espiões nos bolsos durante o dia e deixando-os ao lado de suas camas à noite.  Estão à disposição de empresas que controlam seus dados muito menos responsáveis ​​do que qualquer governo seria.

As informações representam apenas uma pequena fatia do que é coletado e vendido todos os dias pelo setor de rastreamento de localizações

Hoje, é perfeitamente legal coletar e vender todas essas informações. Milhões de usuários aceitam o funcionamento de seus smartphones e aplicativos baixadsos das lojas.  Nos Estados Unidos, como na maior parte do mundo, nenhuma lei federal limita o que se tornou um comércio vasto e lucrativo no rastreamento humano. Somente as políticas internas das empresas que os usam e a decência de funcionários individuais impedem que, aqueles com acesso aos dados, possam utilizá-los de forma ilegal ou abusiva.

Mas o que impede que elas vendam o trajeto de um oficial de inteligência para uma potência estrangeira hostil, por exemplo, revelando lugares, pessoas encontradas ou crimes supostamente cometidos?

Várias empresas vendem os dados detalhados. Os compradores geralmente são corretores de dados e empresas de publicidade. Mas alguns deles têm pouco a ver com publicidade ao consumidor, incluindo instituições financeiras, empresas de análise geoespacial e empresas de investimento imobiliário, que podem processar e analisar quantidades tão grandes de informações. Eles podem pagar mais de 1 milhão de dólares por uma seleção de dados, de acordo com um ex-funcionário da empresa de dados de localização que concordou em falar anonimamente.

O cidadão individualmente não existe mais.  Ele é apenas uma base de dados, uma fonte individual de informações sobre sua vida, totalmente exposta à quem puder pagar.

Os dados de localização também são coletados e compartilhados com um código de publicidade para celular, um identificador supostamente anônimo com cerca de 30 dígitos que permite que anunciantes e outras empresas vinculem a atividade com aplicativos. O ID também é usado para combinar trilhas de localização com outras informações, como seu nome, endereço residencial, email, número de telefone ou mesmo um identificador vinculado à sua rede Wi-Fi.

Esses dados jamais poderão ser apagados, recuperados, impedidos de serem divulgados.  Eles já estão nas mãos de centenas de empresas que os examinam, manipulam, revendem.

Toda essa vigilância e risco vale a pena apenas para que possamos receber anúncios um pouco mais relevantes?

Com certeza, não.

Toda esta informação é parte de algo muito maior, onde aplicações de inteligência artificial são alimentadas com a big data e podem fornecer a informação relevante que desejarem, como com quem você passa a noite e aonde se reúne.

A justificativa comercial não explica a quantidade de dados coletados e cruzados na gigantesca bola de informações sobre os indivíduos.

Sim, o anonimato e a privacidade acabaram para o cidadão comum.

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